sábado, 20 de setembro de 2014

Silêncio



É meio estranho escrever sobre o silêncio,uma vez que o mundo atual se transformou num lugar bastante barulhento.
Num bate papo com um interlocutor do tipo “dono da verdade”, que não demonstra estar predisposto à velha boa e saudável troca de opiniões, se conseguimos acalmar nosso impulso de falar de volta, já podemos nos sentir satisfeitos. Aliás, nesse caso, nada precisa ser dito – é impossível argumentar com pessoas assim.
Percebo em todos os lugares há uma grande causa, um novo escândalo, um ultraje no Facebook, um lado a favor e outro lado em flagrante oposição desvairada.  Brigas, desentendimentos, nomes para citar, um ponto de vista urgente capaz de salvar o mundo precisando ser levado a público.
Sempre que sinto que a minha opinião é uma questão de vida ou morte recordo o seguinte ensinamento budista: não se ganha nada por falar.
Outro dia assistindo ao programa Saia Justa, no GNT, Astrid Fontenelle comentou que às segundas-feiras não adianta telefonar para a atriz Lucélia Santos porque, nesse dia, ela não fala com ninguém num belo exercício de silêncio. Não sei o motivo nem os objetivos dela, mas acho essa prática impossível ao grande contingente de pessoas iradas que desfilam à nossa frente empunhando suas bandeiras e esfregando seus pontos de vista no rosto dos outros.
Não sou budista, mas admiro quem segue porque considero o budismo bastante difícil, especialmente os ensinamentos de Dogen (*). Dentre suas perolas de sabedoria encontrei esta: manter a boca fechada e olhar diretamente para a impermanência....

(*)Dōgen Zenji foi um mestre zen-budista japonês nascido em Kyōto. Dogen fundou a escola sōtō de zen. Ele foi uma figura religiosa proeminente em seu tempo, bem como um filósofo de reconhecida importância.


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