sábado, 15 de março de 2014

Meritocracia na Educação



imagem Pinterest


Eu vejo a meritocracia assim - imagine que uma pessoa fica doente e vai ao médico. Ele prescreve a medicação, a dieta e recomenda repouso absoluto. O paciente sai de lá  não compra a medicação não faz a dieta nem o repouso. Seu estado de saúde piora e ele vem a óbito. Daí em diante o governo, a família  e a mídia passam a culpar o médico por essa morte ...
Assim acontece com os alunos de hoje.
Enquanto o professor explica a matéria, eles estão de costas, conversando, enviando mensagens no whatsapp, falando alto, rindo, atrapalhando a aula e consequentemente os colegas que desejam aprender.
O professor passa dever de casa -   eles não fazem.
O professor marca o dia e a matéria da avaliação  -  eles não se preparam.
O professor pede o caderno para corrigir os exercícios - está em branco.
O professor solicita o livro didático doado pelo governo - eles não trazem.
No dia da prova, não aparecem.
Aí o governo, os pais e a mídia responsabilizam o professor pelo fracasso dos "estudantes"...
Alguém vai sair com esta pérola: o professor que dê uma aula criativa, alegre e atraente para seus alunos. E eu respondo:
- Quem será capaz de preparar uma aula mais interessante que as redes sociais, que o papo com os colegas, que as peladas com os amigos?

Qual o significado da palavra meritocracia?
A palavra meritocracia vem do latim mereo que significa obter, merecer e pode ser definida como forma de atuação baseada no mérito, na qual as posições hierárquicas e outras recompensas são conquistadas pelos colaboradores que atingem os resultados esperados e apresentam no dia a dia de trabalho as competências de liderança, técnicas e estratégicas estabelecidas previamente pelas organizações.

Como surgiu?
As primeiras empresas a estabelecerem uma gestão de desempenho de pessoas e equipes baseado em metas quantitativas e qualitativas, foram as multinacionais de grande porte, que há mais ou menos dez anos praticam esse modelo de gestão.

Quem trouxe esse sistema para a educação?
Foi o psdb em São Paulo, com o Programa de Valorização pelo Mérito que teve como principal mentor e defensor o economista, então Secretário Estadual de Educação, Paulo Renato que, com sua formação profissional, trouxe para a educação essa visão de mercado.

Quais as desvantagens?
1 - A educação passa a sofrer controle de qualidade e a escola é tratada como uma fábrica - vide taylorismo (*)
2 - Supressão de outras formas de reajuste salarial, para os 80% restantes dos professores, como acontecia anteriormente;
3 - Discriminação de aposentados e pensionistas que não são incluídos no programa para reajuste de  vencimentos;
4 -  Lesão do princípio da isonomia salarial do funcionalismo público.
5 - O programa está vinculado à assiduidade, com o propósito de diminuir o absenteísmo nas escolas, sem levar em consideração as condições reais de trabalho dos docentes.
5 - Sob a falácia da necessidade de qualificação ou requalificação, os docentes são obrigados a buscar, por conta própria, a tão sonhada melhoria nos padrões de ensino.
6 - Ao se submeterem às políticas meritocráticas, os trabalhadores da educação não são livres, pois além de estarem submissos à vontade do Estado, são forçados a produzir mais, para gerar uma maior qualidade do ensino por meio de sua prática isolada - sem o apoio do Estado.
7- Mesmo não criando nem sendo consultado sobre as politicas públicas para a educação (elas são impostas de cima para baixo),  a responsabilidade quando os resultados são ruins, recai única e exclusivamente sobre os professores.
8 - Fere o artigo quinto da Constituição, segundo o qual todos são iguais perante a lei, criando salários diferentes para docentes da mesma faixa e categoria.


A quem esse sistema é vantajoso?
Somente ao Estado.  
Sob o falso estigma de valorização do “esforço” e “talento” ele concretiza seu objetivo de gestão neoliberal “enxuta”, forçando o docente a aumentar sua produtividade, ao mesmo tempo que reduz os gastos com o sistema educacional.

(*) O Taylorismo é uma teoria criada pelo engenheiro Americano Frederick W. Taylor (1856-1915), que a desenvolveu a partir da observação dos trabalhadores nas indústrias. O engenheiro constatou que os trabalhadores deveriam ser organizados de forma hierarquizada e sistematizada; ou seja, cada trabalhador desenvolveria uma atividade específica no sistema produtivo da indústria (especialização do trabalho). No taylorismo, o trabalhador é monitorado segundo o tempo de produção. Cada indivíduo deve cumprir sua tarefa no menor tempo possível, sendo premiados aqueles que se sobressaem. Isso provoca a exploração do proletário que tem que se “desdobrar” para cumprir o tempo cronometrado.


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