sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Modistas.

Tony Ward Spring Summer 2012


Houve um tempo em que era comum os pais da noiva oferecerem uma festa para a família em que o noivo, perante todos, pedia a mão da namorada em casamento.
Para o noivado de minha prima, a irmã de minha mãe procurou uma modista famosa da cidade e incumbiu-a de confeccionar o vestido da filha.
Dona Ada morava na minha rua e as famílias tradicionais da cidade encomendavam trajes especiais com ela. Seus preços eram salgados, mas o investimento valia à pena, pois daquelas mãos habilidosas saiam peças belíssimas.
Na coluna social do jornal da cidade seu nome era citado com regularidade nos eventos mais badalados.
Lembro-me que o vestido da minha prima era um tomara que caia azul-cinza, em renda francesa. No miolo de cada flor do tecido Dona Ada colocou uma delicada miçanga imitando uma lágrima de pérola. Na bainha do vestido, forrado de tecido liso no mesmo tom, sobressaiam os bicos daquela maravilhosa renda. Só isso. Simples assim, mas com caimento impecável.
Quando ela desceu a escada do sobrado onde morava, calçando sapatos forrados de cetim no mesmo tom, a admiração foi geral. Eu era criança (nossa diferença de idade é de doze anos), mas fiquei encantada com aquela aparição que, pelo glamour, nos fez lembrar uma estrela de Hollywood em noite de Oscar.
Recordei dele quando vi este modelo no Pinterest. Era bem parecido(até a cor), mas não tinha o babado embaixo.
Em tempo de loja de departamento e roupas fabricadas em série, as modistas sumiram e as poucas que ainda resistem sentem dificuldade em se manter na profissão. Uma pena que não existam mais “Donas Adas”.


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