quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Jardim Secreto

Eu tinha meu próprio jardim secreto, mas isso foi há muito tempo.
Não se tratava de um lugar exatamente bonito, bem cuidado, mas era misterioso, abandonado, um pouco escuro e bastante silencioso. Isso me fazia imaginar que mais ninguém  conseguia passar por aquele portão enferrujado coberto de hera encravada em suas ferragens.
Um caminho estreito entre as plantas levava até a entrada, ao final do qual se abria diante dos meus olhos de criança da cidade uma paisagem estranha, mas que internamente eu reconhecia como a verdadeira manifestação da natureza (só entendo isso hoje).
Meu coração enchia-se de alegria em saber que eu tinha meu próprio jardim secreto, bonito a seu modo, e o que era mais importante: um lugar só meu (eu julgava que assim fosse).
Árvores frutíferas estavam espalhadas aqui e ali, o solo coberto de folhas, o ar  fresco e perfumado, com um cheiro e uma luminosidade que conferiam ao local uma atmosfera mágica.
Hoje sei que nada mais era do que um pomar abandonado, mas para mim era o meu encantado jardim secreto, povoado por fadas e duendes, príncipes e princesas, dragões,  moinhos de vento e todos aqueles elementos da imaginação de uma criança.
Agora, sempre que tenho a sorte de estar em um lugar assim, rodeada pela natureza, sinto as mesmas emoções que me invadiam naquele local incrível.
Estou convencida de que cada um de nós tem seu próprio jardim secreto. Se ele realmente existe ou se é inventado, não importa o que vale é usar a imaginação e correr para lá cada vez que a vida adulta se tornar descolorida, enfadonha.





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