domingo, 8 de dezembro de 2013

Tempestade de Verão


O céu escureceu repentinamente e a cidade pareceu adormecer sob a luz pálida daquela tarde quente de verão.
A criançada saiu da escola correndo em algazarra e espalhou-se pela rua que circunda o velho prédio do grupo escolar.
Para o lado das montanhas longínquas  enormes nuvens escuras anunciaram a chegada da tempestade.
O padre, percebendo que o tempo em breve mudaria, saiu da igrejinha da praça levando seu velho  guarda-chuva preto desbotado.
O vento começou a fazer redemoinhos de terra vermelha na estradinha que vai para a fazenda do Dr. Alcebíades.
Etelvina, a criada do prefeito, dirigiu-se apressadamente para o fundo do velho casarão da praça a fim de recolher a roupa que secava no varal. Com toda aquela agitação, as galinhas que ciscavam no quintal começaram a  cacarejar em alvoroço.
O farmacêutico assustado saiu à porta da farmácia para ver de onde viera o estrondo do primeiro trovão.
Depois disso, a chuva desabou com força, encharcando o solo e deixando no ar aquele cheiro delicioso de terra molhada.
As plantas, cansadas de tanto calor, sorveram felizes o aguaceiro e perderam aos poucos aquele ar exausto e abatido dos últimos dias.
A tempestade passou depressa e o calor voltou com força redobrada. Só as poças de água no chão testemunhavam a passagem do temporal pela cidadezinha que logo retomou aquela calma e tranquilidade de sempre.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vou adorar ler seu comentário, além é claro, do prazer enorme de saber que passou por aqui.