quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Presépio Inesquecível



É impossível falar de Natal sem recordar a infância, a árvore, o presépio, a novena em que a imagem de Nossa Senhora percorria a vizinhança, a missa do Galo, a ceia em família, depois Papai Noel e os presentes e, encerrando as festividades, o Dia de Reis.
De todas essas lembranças a que mais marcou essa época foi a do presépio “com movimento” que prendia minha atenção durante o período que antecedia o Natal.
Como toda criança, eu também tive minhas amigas e, dentre elas, uma era especial.
Morávamos na mesma rua e estávamos sempre juntas às voltas com bonecas, panelinhas e todas aquelas coisas que as meninas adoram.
Brincávamos muito no jardim da casa dela que era espaçoso e fresquinho devido à sombra das árvores e plantas que o velho jardineiro da família cultivava com esmero.
Quando as cigarras começavam a cantar e os dias ficavam mais longos, era sinal para nós de que o ano estava terminando e algo especial estava por acontecer.
A biblioteca da casa de minha amiguinha, sempre muito séria e austera, mobiliada com sofá, poltronas de couro escuras e paredes forradas de estantes repletas de livros, recebia uma decoração especial. Primeiro entrava um pinheiro natural enorme. Não digo isso por causa do nosso tamanho na época. O pinheiro que a mãe dela colocava numa lata forrada de papel vermelho era realmente tão grande que alcançava o teto da sala. Seus longos galhos verdes exalavam um perfume delicioso que impregnava o ambiente e, em minha memória olfativa, esse ficou sendo para sempre o “cheiro do Natal”.
Depois da árvore ornamentada com enfeites coloridos, era hora de montar o presépio que, depois de pronto, passaria a ser acompanhado por nossos olhares curiosos, durante todo o mês de dezembro. É que São José e Nossa Senhora “caminhavam”, todos os dias, “um passinho” à frente, rumo à manjedoura.
É claro que eles não se deslocavam sozinhos – todas as noites, longe dos olhares das crianças, a mãe da minha amiga, deslocava cuidadosa e lentamente os personagens de gesso em direção à manjedoura.
Como para os pequenos a noção de tempo ainda está em construção, lembro-me de nossas conversas:
- Deve faltar muito pro Natal - a Virgem Maria e São José ainda estão longe da manjedoura,  calculávamos.
- Eu medi hoje cedo e faltam três dedinhos para que Eles cheguem – constatava ansiosa minha amiga.
- Agora já estão pertinho, o Natal deve estar próximo! - concluíamos alegremente.
Finalmente, no dia 25 de dezembro, descobríamos no presépio, seu personagem principal: o pequeno Menino Jesus.
Para nós crianças era uma alegria quando o bebê “aparecia”, como por milagre, deitadinho em meio à palha, ao lado dos pais. Chegávamos a bater palmas eufóricas ao ver o recém-nascido ali. Era um momento mágico e sempre estendíamos as mãos pedindo para segurar entre elas o visitante mais esperada do nosso Natal – Jesus.

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