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Gosto de Ler







Credito minha paixão pela leitura ao meu avô materno. Ele tinha uma biblioteca enorme, era apaixonado por livros e, ainda pequena, fui apresentada por ele ao mundo das palavras, aos clássicos da literatura infantil: irmãos Grin, Monteiro Lobato, Hans Cristian Andersen e às fábulas de Esôpo.
Meus professores incentivavam a leitura, mas naquela época era proibido entreter-se durante as aulas com livros de história ou gibis – isso era considerado diversão e lugar de diversão era em casa.
O mundo ainda não havia sido invadido pela tecnologia, mas o computador de meu avô estava em sua cabeça e ele foi sem dúvida a melhor fonte de pesquisa para os netos. Seu amor pelos livros era contagiante e minha família foi abençoada por ter recebido dele esse legado especial.
Eu e meus primos passávamos as férias de verão em sua casa no litoral e, depois de um dia de brincadeiras na praia tomávamos banho, colocávamos nossos pijamas jantávamos e nos sentávamos na sala para ouvir suas histórias sobre as aventuras do pirata Cavendiche que, segundo consta, por longos anos aterrorizou a costa brasileira com suas incursões ao nosso continente ainda pouco resguardado.
Foi numa dessas noites que ouvimos pela primeira vez aquela velha canção:
“ Doze piratas sobre um caixão,
oh, oh, oh, oh!
e uma garrafa de rum.
Deu briga a bebida,
saiu confusão.
oh, oh, oh, oh!
E não sobrou nenhum! ”
Depois de todas aquelas narrativas fantásticas minha avó nos colocava sentados diante da  mesa para tomar leite e comer biscoitos, um costume das crianças na época e que hoje desapareceu por completo.
E foi numa dessas noites, quando chovia e os trovões faziam todos tremerem enquanto ouvíamos atentos mais um relato de meu avô sobre marujos,  piratas, mapas secretos e tesouros,  bateram à porta com força. Corremos assustados para o andar superior e com os olhos arregalados vimos meu avô abri-la. Era a lavadeira que, mesmo naquele temporal, viera  entregar a roupa passada para minha avó.
Me lembro que quando ela se foi meu avô pôs-se a rir dizendo com sua voz forte:
- E não sobrou nenhum! Ele referia-se à música dos piratas e ao fato de todos haverem fugido com medo de Cavendiche e seus homens, quando na verdade tratava-se somente da velha e boa senhora.


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