sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Depoimento Interessante

"Sou casada, tenho três filhas, moro em uma casa no subúrbio de quatro dormitórios, temos dois carros na garagem e sim, me considero minimalista.  Quando a gente começa, normalmente vamos pelas coisas. Destralhamos nossa casa, pensamos mil vezes se precisamos mesmo de algo antes de consumir, fazemos escolhas conscientes, limpamos a vida de tudo que é desnecessário para podermos focar no que é mais importante para nós.
E ai que a gente percebe que a quantidade de coisas que possuímos é a menor parte. Seria meio contraditório mesmo que um movimento que prega que coisas não são importantes estivesse baseado apenas na quantidade de bens que cada um possui. Então, a resposta é sim. Você pode ser minimalista tendo uma casa grande, assim como pode ser minimalista conseguindo colocar tudo o que você possui dentro de uma mochila. Essa falta de regras é que trás a beleza dessa filosofia de vida.
Porque o minimalismo é isso. Uma filosofia de vida. Não uma competição para ver quem consegue viver com menos, o que seria totalmente tosco.
Ser minimalista, para mim, é viver intencionalmente, focando decisões e energia nas paixões e deixando de lado tudo o que não interessa o que não ajuda. Não só coisas. Coisas são o de menos.
Depois que doei mais de metade das coisas que atravancavam a minha cozinha, grande parte dos meus livros, todos os meus CDs (e por ai vai), abri um espaço para que eu pudesse pensar com mais clareza e começasse a descartar tudo o que não servia: leituras que não acrescentavam, programas de TV, relacionamentos, eventos. Hoje, tudo o que tira o foco do que eu realmente quero para a minha vida eu coloco no mesmo tipo de caixa que os sapatos apertados que eu nunca vou usar.
Deixei de ir a festas só porque achava que isso era socialmente desejável, não mais permiti que aquela indireta no Facebook estragasse o meu dia, deixei de me interessar pelas pessoas que são fotografadas na praia só para sair na capa dos portais de notícia, aprendi a dizer não para tudo o que não me agrega.
Destralhar a nossa mente e as nossas ações é ainda mais importante do que destralhar a nossa casa. E é mais difícil também. Se desconectar de uma pessoa que não te faz bem é bem mais difícil do que fazer uma limpeza no guarda roupa. E talvez mais necessário.
Para mim, minimalismo é isso. Escolher bem com quem e a que vamos dedicar a nossa vida. Talvez seja uma filosofia um bocado egoísta. Mas é real. Só quando estamos felizes conseguimos nos entregar, ser úteis socialmente.
E o mundo precisa de mais protagonistas se entregando e menos figurantes fazendo numero".

Renata Velloso para o blog cinese.me


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